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memorial da infancia

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UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Curso de Pedagogia - PEAD

Disciplina: Seminário Integrador II

Professoras: Marie Jane Soares

Nome: Rosana Maria dos Santos

 

 

 

 

 

Memorial da Infância

 

 

 

 

Meu nascimento

1968

- Assassinato de Martin Luther King

- o Presidente Costa e Silva decreta o AI-5

 

Comecei a andar em dezembro

1969

- Woodstock, maior festival de musica realizado

 

Nascimento de minha irmã

1970

- Brasil vence o Mundial e conquista Taça Jules Rimet, na cidade do México

- é anunciado o fim dos Beatles

 

Fui aia no casamento de minha irmã

1971

- O Monte Etna entre em erupção e é inaugurada a Walt Disney World

 

Primeira vez que fui a praia

1972

- Emerson Fitipaldi é o 1º Brasileiro a vencer o Campeonato Mundial de F-1

 

Meu irmão nasceu e ganhei uma boneca

1973

- Estréia “O Bem Amado”, a primeira telenovela produzida em cores,

- é inaugurado o Worl Trade Center e morre o pintor Pablo Picasso

 

Ganhei minha 1ª bicicleta

1974

- Incêndio no Edifício Joelma,

- o Presidente Richard Nixon renúncia a presidência dos EUA, após o escândalo Watergate

 

Mudança para a casa nova

Tive catapora

1975

- Ano Internacional da Mulher,

- e o Internacional vence o Campeonato Brasileiro de Futebol

 

Entrei na escola

1976

- Fidel Castro torna-se Presidente de Cuba

- e morre a escritora Aghata Christie

 

Participei da peça Chapeuzinho Vermelho

1977

- Morre Elvis Presley,

- é lançado o 1º filme da saga Star Wars

 

Visita com a escola ao Planetário

1978

- Morre o Papa João Paulo VI, 263º papa

- Publicado pela 1ª vez a tira de quadrinhos “Garfield”

 

 

 

 

Seleção dos Informantes-Chaves

 

Para a seleção das pessoas a serem entrevistadas levei em conta a participação e importância delas nos primeiros anos de minha vida:

 

NOME COMPLETO – Edith Schmitt dos Santos

IDADE – 73 anos

SITUAÇÃO ATUAL DE VIDA – Dona de Casa e Pensionista

Considero esta pessoa essencial, pois é a pessoa que me gerou, me criou, me educou, e muito mais, e convivo com ela até hoje.

 

NOME COMPLETO – Nauro Schmitt dos Santos

IDADE – 71 anos

SITUAÇÃO ATUAL DE VIDA – Aposentado

Escolhi esta pessoa, por ter tido um contato mais próximo com ela durante os meus primeiros anos de minha vida. Também por ser meu tio por parte de mãe e meu padrinho.

 

NOME COMPLETO – Maria Luiza dos Santos

IDADE – 82 anos

SITUAÇÃO ATUAL DE VIDA – Aposentada

Uma tia muito querida, que sempre fez parte de praticamente todos os momentos de minha vida. Uma boa conselheira, brincalhona, bem humorada, á a irmã mais nova de meu pai.

 

Elaboração do Roteiro da Entrevista Semi-Estruturada

 

 

1)Conte-me um pouco sobre minha infância?

2) Como meu pai conseguia suprir as necessidades da família?

3) Com quem brincava?

4) Que brinquedos possuía (tipo)?

5) Quando me levaram na escola pela primeira vez, como me comportei?

6) Como foi minha vida escolar?

7) Colaborava com as tarefas de casa?

8) Era uma criança bem comportada?

 

História de Minha Vida de Zero a Dez Anos (1968 a 1978)

 

Nasci em 15 de Setembro de 1968, no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre - RS.

Meus pais tiveram cinco filhos, da qual sou a do meio, dois meninos e três meninas, naquele tempo, como lembra minha mãe, a situação era muito difícil para criar tantos filhos, pois só meu pai trabalhava. Lembro que meu pai era muito autoritário e bravo, quando ele chegava em casa, após o trabalho, ninguém mais dava um pio dentro de casa. Bastava olhar para que ficássemos bem quietinhos.

Nesse ano, aconteciam fatos marcantes em todo o mundo, um deles foi o assassinato do ativista político Martin Luther King, que defendia os direitos civis dos negros e das mulheres, e seu célebre discurso: “ I have a dream. ( Eu tenho um sonho).

Fui batizada na Igreja São José, no bairro Sarandi em Porto Alegre, e meus padrinhos foram meus tios Nauro e Terezinha.

 

 

 

 

No final do ano de dezembro de 1969 comecei a andar e não dei mais sossego para meus pais e tios, desde que me lembro, nunca fui um modelo de obediência.

Dei algum trabalho a meus pais, muitos dos fios de cabelos brancos de minha mãe, uma boa parte, quem provocou fui eu.

No ano seguinte, em 1970, nasceu minha irmã Adriana, até hoje somos muito unidas. Não lembro muito bem desta época, só alguns pontos, lembro do xale, das luvas e da toca que ela usava, pois era de um tom rosa muito forte, lembro de minha avó dizer: “Tem que enrolar bem, porque criança recém nascida sente muito frio”. Claro que também não lembro de quando o Brasil ganhou o Mundial e conquistou a tão famosa Taça Jules Rimet no México.

No dia 24 de dezembro de 1971, minha irmã casou e eu fui sua “aia”, lembro que cansei de ficar em pé na frente deles e uma prima me colocou sentada em um dos bancos até a cerimônia terminar. O bolo de noiva eu lembro muito bem, pois adoro doces, era em formato de trevo de quatro folhas e todo decorado com aquelas rosas feitas de glacê.

No verão de 1972 foi a primeira vez que fui à praia, naquele tempo não tinha esses modismos de usar o biquíni da moda, íamos de bermudinha e uma camisetinha bem curtinha, protetor solar, isso era coisa do outro mundo, o sol não era perigoso como é hoje. 

 

 

 

 

Por meu irmão ser recém-nascido, minha irmã e eu brincávamos de casinha, mamãe e filhinho, usávamos espigas de milho para fazer o papel de bonecas, a espiga bem novinha, sempre era minha filha, pois os “cabelos” eram bem claros e a espiga mais passada, era de minha irmã, pois ela é morena e os “cabelos” da filha dela eram mais escuros. Muito bom isso! qualquer coisa servia para fazermos de brinquedos.

Quando fiz seis anos, em 1974, ganhei minha primeira bicicleta, era uma Caloi Totica, verde, com aquelas rodinhas do lado, só fui aprender a andar mesmo depois de muitos anos, mas isso não impediu que alguns anos depois, caísse um tombo que me rendeu uma cicatriz que possuo até hoje. Eu estava na bicicleta e minha irmã empurrando, tinha uma estaca no meio do caminho, mas continuei, além de bater na estaca, ainda freei, claro, voei por cima, até hoje lembro perfeitamente disso, caí de boca no chão, cortei acima do lábio superior e um pouco da gengiva, ficou a coisa mais linda o beicinho! Não sei como não quebrei nenhum dente. Minha mãe ficou brava foi comigo, com minha irmã, nada. Isso foi no mesmo ano em que incendiou o Edifício Joelma.

 

 

 

 

Finalmente chegou o ano em que eu iria entrar para escola. Aprenderia a ler e escrever. Isso foi em 1976, a escola era bem pertinho de minha casa, meia quadra de distância.

Tem um episódio muito engraçado que aconteceu na primeira semana de aula: todos os alunos sentados, a professora fazia a chamada e entregava uma folha de papel dobrada em três partes, que, colada as pontas, ficava em forma de placa de identificação, para ela poder ir conhecendo quem era quem. Chamou por ordem alfabética, primeiro os meninos, depois as meninas. Todos ganharam, menos eu. E ela perguntou se alguém não tinha sido chamado, pois estava sobrando um papel. Só eu não tinha recebido. e ela perguntou: “ Qual é o teu nome?” E eu respondi que era Nena. Ela disse que não era, pois o nome que tinha sobrado não era esse. Ela teve que ir na Direção para ver minha ficha de matrícula e me dizer que o meu nome era Rosana. Insisti que não era. Quando cheguei em casa perguntei a minha mãe qual era o meu nome, ela começou a rir e perguntou o porque. Depois disso ela me explicou que “Nena” era um apelido. Até os sete anos não sabia o meu nome verdadeiro. Mas tudo bem, superei o trauma e fui adiante.

No ano seguinte, 1977, estava na 2ª série e participei da pela “Chapeuzinho Vermelho”. Representei a mãe de Chapeuzinho. Foi a única vez que participei de teatro na escola, não gosto disso. Um dos fatos marcantes deste ano, foi numa tarde de agosto que estava assistindo TV com minha mãe e anunciaram que Elvis Presley tinha falecido. Eu era apaixonada por ele, adorava as músicas, aliás, até hoje eu gosto, cada vez que ouvia ele cantando “Silvia”, eu me emocionava, não entendia o que ele cantava, mas achava um pouco triste a canção. Mas apesar da tristeza, não deixei me abater, continuei meus estudos e fui aprovada para a 3ª série. Sem ficar na famosa recuperação terapêutica.

Estava na 3ª série, já não éramos considerados “tão” crianças, a turma, de prêmio pelo bom comportamento, fomos fazer um passeio para conhecer o Planetário, foi no mês de setembro de 1978, lembro porque o passeio foi uma semana antes de meu aniversário. Foi um dos passeios que mais gostei, foi muito interessante. Parecia que estávamos no espaço flutuando junto com as estrelas. A impressão que tive quando chegamos, era que o prédio parecia enorme, talvez devido ao formato. Hoje quando passo em frente ao Planetário, observo que não é tão grande assim, que eu não tinha uma visão exata das proporções, parecia uma fantasia. Minha imaginação fazia a coisa maior do que realmente ela é.

Quanta coisa que aconteceu que já nem me lembrava mais, mas foram momentos muito bons de minha vida, infelizmente não voltam mais. Não fui uma criança que não deu dor de cabeça aos pais, era um “pouco” teimosa. Agradeço a meus pais, tudo o que puderam fazer por mim e meus irmãos, principalmente a meu pai que, ensinou que temos que ter um espaço e lutar por isso, respeito a todos, o certo e errado, minha mãe que sempre tem uma palavra e um gesto de carinho cada vez que precisamos e do corretivo quando necessitamos. São pais maravilhosos, pois me proporcionaram uma infância tranqüila, com amor, dedicação e carinho, fizeram o máximo dentro do que permitiam suas condições, tanto que quase não tenho lembranças tristes ou ruins, tirando o episódio do tombo de bicicleta.

E tento passar os mesmos valores para meus filhos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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